Pergunta da semana:
O que você acha do regime socialista cubano?
Comentário[s]

8/15/2006


Sem perder a ternura




Marcelo Bonvicino*

Estive em Cuba, na cidade de Havana e no município de Trinidad, na segunda quinzena de julho deste ano. Em Trinidad, há uma das praias mais belas do arquipélago, a cidade é tombada pela ONU por ser patrimônio histórico da humanidade. Fiquei no país por 10 dias. Éramos nove pessoas, jovens e mais velhos, meu irmão, minha mãe e amigos.
Nos primeiros dois dias, andamos por Havana interessados em conhecer sua vida cultural. Passamos por museus, os famosos restaurantes paladares – oferecidos por famílias cubanas com a permissão do governo –, bares com música ao vivo, sebos, lojas e festas tradicionais.
Nos aproximamos das pessoas para conhecer seu cotidiano [até onde um estrangeiro pode conhecer] e seus hábitos.
Cuba vive sob um regime socialista, estabelecido a partir de 1959. Naquele ano, um grupo de jovens intelectuais e revolucionários, liderados por Fidel Castro, derrubou o ditador Fulgêncio Baptista, que privilegiava os interesses do capital estrangeiro e da elite latifundiária, produtora de cana-de-açúcar e tabaco.
Entre os revolucionários estava Ernesto “Che” Guevara, que se tornou um ícone por todo o mundo. Ao seu lado, o menos conhecido – mas não menos importante – Camilo Cienfuegos, estudante de artes plásticas que pertencia ao movimento estudantil e foi um grande parceiro de Guevara. A juventude cubana de hoje cresceu com os valores instaurados pelo regime de Fidel Castro, o que, em muitos aspectos, é bastante positivo: eles baseiam-se na igualdade social, na educação de qualidade para todos e no princípio da dignidade. Os maiores símbolos, portanto, para estes jovens, são os heróis revolucionários e a arte tradicional do país. Tive a oportunidade de conhecer muitos estudantes de artes e comunicação nessa viagem.

Sem vestibular - Embora o país esteja muito aberto aos turistas nos últimos anos, por conta da dependência econômica local em relação a essa atividade, o intercâmbio da população com estrangeiros é dificultado.
Cuba tem um sistema educacional de qualidade: a taxa de analfabetismo é de 6,2% e o nosso maior inimigo, em termos de educação pública, o vestibular, não existe. Há, para todos os estudantes, vagas nas melhores universidades do país.
Mas a dificuldade do intercâmbio se deve às barreiras geradas pelo governo. A idéia é evitar o choque de classes entre os cubanos, que vivem em condições materiais difíceis, e os turistas, que têm uma vida mais rica, materialmente falando [ao menos os que vão para lá, já que esta é uma viagem cara]. O governo de Cuba quer evitar um possível interesse por parte dos cubanos de migrar do arquipélago. Isso também é uma medida contra o turismo sexual, que já foi um grande problema social naquele país.
A polícia cubana é sempre muito dura e repressiva com as pessoas locais. Os policiais dizem que querem preservar a “tranqüilidade” dos turistas, já que o país depende do turismo. Também ouvi de alguns policiais frases como “por aí tem muito malandro”. Turistas e cubanos de sexos opostos não podem estar juntos por muito tempo, como ocorreu conosco, em Trinidad.

Marcelo Bonvicino, 19, é poeta e estudante da Universidade de São Paulo

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Teatro XVIII [Pelourinho]
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Projeto Vale O Quanto Pesa com Jazz Rock Quartet, Alex Pochat e Os Cinco Elementos
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Garage [Feira de Santana]
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Brotas Roots Rock Reggae com Os Algas, Vulgo e Inoxidáveis
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R$ 5

Segunda 20/08

Atrito Rock Fest com Aditive, Djunks, Outspace
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Domingo 13/08

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A Vida e A Obra de Samuel Becket
Teatro Vila Velha [Passeio Público]
Das 9h às 18h
Gratuito

Imperdível

Sexta-feira
18/8
Obrigado Por Fumar
nos cinemas
R$ 7 [em média]


Cinismo antitabaco


"Obrigado Por Fumar" [Thank You For Smoking] conta a história de Nick Naylor [Aaron Eckhart], um porta-voz de uma grande companhia de tabaco que tem como função passar uma boa imagem da indústria do fumo.
Ao custo de manipulação de informações e contratos com agentes de Hollywood, ele tenta combater a campanha antitabaco de um senador que pretende colocar rótulos de venenos nas embalagens de cigarro.
O filme é uma sátira que acompanha o dia-a-dia de Nick, que inclui tentar ser um exemplo para o seu filho de 20 anos. A direção é do estreante Jason Reitman e tem no elenco Katie Holmes, Rob Lowe, Robert Duvall e William H. Macy.

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