Som para girar o mundo
pedro fernandes
pfernandes@grupoatarde.com.br
Com menos malas para carregar, mas com um prêmio para dar peso à bagagem, a Sonic Junior, que no ano passado virou a banda de um homem só, está de passagem marcada para se apresentar no dia 22/9 na Copa da Cultura na Alemanha, promovida pelo Ministério da Cultura do Brasil.
“Queria tocar novamente na Europa. Vou para Berlim e depois para a Áustria”, diz Juninho, atualmente o único integrante da Sonic Junior, que há três anos deixou Maceió para morar em São Paulo por acreditar que assim é mais fácil fazer contatos e aparecer. “Em Sampa, estamos mais no centro. Facilitou pra caramba.“
No ano passado, ele lançou seu terceiro disco, “Pra Fazer o Mundo Girar”, de maneira independente e no mês passado garfou o Prêmio Dynamite de Música Independente, promovido pela revista Dynamite, na categoria música eletrônica. “É muito bom receber esse tipo de reconhecimento. Isso dá uma ‘instiga‘ a mais para continuar nosso trabalho”.
Prêmios como esse, acredita Juninho, dão uma grande força para a cena de música independente brasileira, que em sua avaliação vem crescendo e melhorando a cada ano. “Ainda temos que correr muito atrás, não tem muito lugar para tocar, mas percebo que cada vez mais tem gente interessada em música independente”.
A internet ajuda a divulgar essa efervescência fora das grandes gravadoras. Mesmo tendo seus álbuns em CD, a Sonic Junior os disponibiliza em seu site [www.sonicjunior.com.br].
“A gente, que é independente, tem que fazer isso. Claro que é uma dificuldade gravar um disco. É muito dinheiro empregado. Mas aposto que quem baixa no site compra na loja. O show é a parada mais forte que você tem para divulgar seu trabalho”. E show não falta. “Tocamos no Rio, em Ribeirão Preto, Birigüi, Bauru...”.
Disco maduro – “Pra Fazer o Mundo Girar“ foi inteiramente produzido por Juninho e levou nove meses para ficar pronto. “Fiz tudo em casa no meu home studio. Sinto que esse disco é o mais maduro dos três. É o que eu mais gostei”.
O disco continua a seguir a linha da mistura de sonoridades locais com experimentações eletrônicas que foi apresentada em “Sonic Junior” e “O Mundo Lá Fora“, respectivamente o primeiro e o segundo disco da banda.
Quanto ao lugar comum em que muitas bandas caíram na tentativa de dar uma cara global a um som local ou vice-versa, principalmente a partir da década de 90, na esteira do mangue beat e de Chico Science, ele contemporiza. “É difícil misturar. Tem que saber exatamente o que você quer. Tem que ter cuidado para não virar um monstro. Não estou preso a nenhum estilo, diluo tudo no meu som. Consegui achar minha identidade”. E isso não falta em “Pra fazer o Mundo Girar“
Mistura com sofisticação
A armadilha está lá para qualquer um. “Pode misturar” virou slogan e todo mundo achou que podia fazer. Sonic Junior foi um deles, mas conseguiu escapar das formas simplórias e por vezes clichês no que diz respeito ao que há de mais básico em matéria de regionalismos.
“Pra Fazer o Mundo Girar”, embora escorregue em algumas das suas oito faixas [“Meu Caminho É Lei“ é uma delas], consegue mostrar mais sofisticação em relação aos dois álbuns anteriores .
Logo na primeira música, a que dá nome ao disco, pouco se percebe influências locais. Elas entram na receita de modo imperceptível e dão espaço para que o som ganhe características próprias.
“Suíte 909“ fica entre o dançante e o lisérgico com toques sutis de brasilidade. E melhora quando é repetida na sétima faixa com ares de dub. “Stop Emotion“embala qualquer pista facilmente e “Surdinho 16’’ fecha o disco como uma das faixas mais viajantes, criativas e complexas. Para ouvir muitas vezes e brincar de decodificá-la ou só para dançar mesmo. [pedro fernandes]













